Recentemente uma questão muito importante foi abordada em rede nacional: mães narcisistas, que competem com suas filhas em relação à juventude, beleza, inteligência, etc.

Estas mães tendem a ter um envolvimento emocional distante com a menina que geraram, enxergando-a como uma ameaça, sem admitir a passagem do tempo e a renovação das figuras femininas dentro da própria família.

Sua insegurança abala a cumplicidade que deveria existir e gera diversos problemas para ambas, principalmente em um momento como o da gravidez.

A disputa pode chegar a ser maior se mãe e filha engravidam ao mesmo tempo. Aquela que teria o papel de avó e de conselheira dessa nova mãe também gera uma vida, para qual voltará suas atenções neste momento, afastando-se ainda mais e muitas vezes reforçando este sentimento já existente.

Ao engravidar, a mulher passa por transformações no corpo e oscilações hormonais que a deixam bastante sensível. Ter que lidar com essa questão pode fazer com que essa fase se torne ainda mais difícil.

“Você já está criada e esse novo bebê precisa dos meus cuidados”

Não bastasse a obsessão por parecer mais jovem, a mulher hoje vive experiências semelhantes às das filhas diariamente. Sai para bares com as amigas, namora e engravida novamente.

É como se um novo ciclo começasse e suas obrigações para com a filha tivessem terminado.

Se já havia um sentimento de disputa, as atenções agora se voltam exclusivamente para o novo bebê e o apoio esperado da mãe nem sempre estará presente.

O apoio da família na gestação é muito importante, principalmente para as mulheres mais jovens, que esperam seu primeiro bebê.

Os ensinamentos passados pelas gerações são tão valiosos quando as recomendações dos melhores pediatras.

Cria-se uma lacuna, na qual não há outro encaixe possível, já que se espera naturalmente que o acolhimento venha de quem está mais próximo.

“Quis ter filhos, arque com as consequências”

Em muitos dos casos, as mães narcisistas engravidaram muito cedo e tiveram que abrir mão de muitos sonhos por causa desta condição.

O que fazem com as filhas pode ser reflexo do que receberam e da maneira que foram tratadas no passado pelos familiares ou pelo próprio companheiro.

Uma nova vida em seu útero, em uma outra condição, faz com que haja um rompimento maior com os laços que a prendia ao que já se passou.

Superar traumas e abandonos não é simples e exige o acompanhamento de especialistas.

Se as lembranças dessa mãe não foram superadas, ela pode também causar danos psicológicos em sua filha que perdurarão pela vida toda.

“Quem precisa de tratamento é você!”

Não admitir e não buscar por ajuda só faz com que as situações fiquem piores.

O rompimento dessas relações entre mãe e filha, que já acontecia de forma velada, pode se dar definitivamente.

Perder uma figura tão forte em nossas vidas, seja por morte ou por afastamento é sempre bastante traumático.

O acompanhamento de um psicólogo neste período pode conduzir a situação para que haja reflexão por parte de ambas e, caso a “perda” seja necessária, que ela aconteça quando não houver mais alternativas a se tentar e nem prejuízos psicológicos.