O corpo feminino é perfeitamente adaptado para gerar uma vida — realmente a coisa mais extraordinária que pode acontecer com uma mulher. No entanto, podemos dizer que o ser humano não é tão sublime quanto parece.

Faltaram umas adaptações. Acredito que muitas mães (em especial as de bebes de colo) irão concordar.

Ok, cresce uma barrigona na gravidez que depois desaparece — ou pelo menos deveria! E que tal um braço extra que também nascesse e depois sumisse? Pode até parecer bizarro, mas é só por que não estamos acostumados! Seria tão imensamente útil… Esse terceiro braço poderia ir crescendo junto com a barriga para que quando o neném viesse ao mundo esse membro extra estivesse completamente formado.

Falta braço para tantas coisas que a mãe faz! Na amamentação, um braço para segurar o neném outro para o seio e o terceiro para ajeitar a posição da almofada, por exemplo. Para preparar a papinha e ninar o bebê, que claro, quer ficar no seu colo de qualquer jeito, também seria de grande auxílio! Na rua então, a utilidade seria imensa! Uma mão exclusivamente para segurar a criança e as outras duas para as bolsas, sacolas e mil coisas que nós mães carregamos pra cima e para baixo.

Os cangurus fêmeas que se deram bem! Uma bolsa acoplada ao corpo para levar o bebê ou as compras não seria nada mal. Sim, existe o sling, o carrinho, canguru e outras opções para carregar o baby. Todos são ótimos, ajudam muito quando estamos fora de casa, mas tem horas que falta mesmo é braço, é mão de obra, não adianta!

Só uma mãe sabe o que é acalmar a cria chorando, trocar a fralda, segurar as perninhas pra cima, não deixar a criança colocar a mão no cocô, cantar para distrair e acalmar o filho. E tudo isso ao mesmo tempo enquanto presta atenção para o bebê não cair do trocador! Ufa! E as mães de gêmeos ou trigêmeos então? Essas — além de um troféu — mereceriam até duas mãozinhas a mais!

Fato é que aprendemos a multiplicar nossos braços, pernas e olhos quando temos filhos. E claro, uma mãozinha extra (seja do parceiro, dos avós ou dos amigos) sempre, SEMPRE será bem-vinda!

Ajuda é importante demais, mas ela precisa vir no acolhimento, cuidado, e amor. Conselhos, em sua maioria são dispensáveis. Acredite. Não é o que a mãe precisa nesse momento. Mãe precisa ser cuidada! E ponto.

Trocar figurinhas' com outros pais vai fazer com que você se sinta mais segura - principalmente ao descobrir que não é a única mãe do mundo que pensou em colocar um espelhinho no nariz do bebê para ver se ele estava respirando. 'Se durante a gestação a barriga era um ponto de referência para puxar assunto com outras grávidas, agora o olhar se vira para carrinhos e afins', diz a enfermeira-obstetriz Márcia Regina da Silva. Não perca a oportunidade de conversar com as mães que cruzarem o seu caminho, seja na rua, seja no playground ou na sala de espera do consultório médico.

É difícil para algumas pessoas entender que a maternidade é uma escolha que envolve muitas esferas: a questão não é apenas ter ou não um bebê, é saber que essa nova vida não é compatível com hábitos e atitudes que até então eram muito normais para você. Mas se por um lado você se despede de muita coisa boa (como a capacidade de dormir oito horas seguidas sem um mínimo despertar), também deixa para trás algumas situações que não eram positivas: você cresce, amadurece e melhora muito!

Com tantas opiniões e palpites que se ouve durante a gravidez e no pós-parto, a realidade é que a maternidade só é totalmente compreendida na prática. E é aí que a mulher descobre as famosas “coisas que ninguém conta”, mas que fazem toda a diferença no dia a dia.

A verdade é que toda mãe precisa de um tempo. Um tempo das cobranças, um tempo dos palpites de como educar seus filhos, um tempo das pessoas perguntando sobre como você dá conta, um tempo das pessoas afirmando que você deve ficar cansada da rotina materna, um tempo de tudo que não acrescenta favoravelmente. 

E quando você sentir que está naquele ponto em que você precisa de tempo, então peça! Não é fraqueza admitir que precisa se afastar de algumas coisas por algum tempo. É fraqueza achar que não somos pessoas normais, que vão ter dias muito felizes, dias difíceis, dias impossíveis, dias estranhos e dias neutros. 


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